Márton Tamás
À procura da(s) realidade(s) contraditória(s)? PDF Imprimir E-mail
Dom, 20 de Maio de 2012 00:53

À procura da(s) realidade(s) contraditória(s)?

Márton Tamás Gémes é doutor em Romanistik pela Universität zu Köln (Colônia - Alemanha) e professor de literatura inglesa na Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA em Sobral – Ce.

Este artigo se entende como uma proposta de re-elaboração de um conceito do fantástico moderno. Segundo Wünsch (1998) propõe o fantástico como um evento dentro de um discurso fantástico, e não como gênero. Para Lachmann (2002, 2004), o fantástico se reconhece como um oximoro semantizado, ou seja, de semantização de conceitos retóricos, como o adynaton, o concetto e do oximoro. O fantástico se caracteriza, portanto como o questionamento lúdico da realidade fictícia, ao qual não há resposta. Desta forma, o fantástico se torna a experiência da realitätssystemischen Unsicherheit (insegurança acerca do sistema de realidade), a experiência de levar em questão a própria realidade, a dúvida sobre a realidade como conseqüência da ontológica limitação cognitiva do homem. Portanto, o texto fantástico não somente se distingue dos discursos maravilhoso e realístico no eixo do possível/impossível, ou natural/sobrenatural. Antes, a diferença crítica entre estes dois discursos, ambos monistas, e o fantástico se encontra no eixo do contraditório/inequívoco. O fantástico se torna, desta maneira, o precursor do kafkaesco, no qual a Widersprüchlichkeit (‘contraditoriedade’) do mundo fictício se torna fato. Esta proposta abre espaço para respostas tentativas a problemas que acompanham a teoria do fantástico tradicional (Todorov, Bessière, Wünsch, Durst etc.), como a ‘morte’ do fantástico, a teoria dos dois mundos, e a relação realidade intratextual vs. extratextual, e possibilita o esboço de uma poética moderna do fantástico.

Última atualização em Sex, 17 de Setembro de 2010 14:18
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