| Natércia Campos |
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| Qui, 15 de Julho de 2010 01:42 | |
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Guru do GRELF
Natércia Campos nasceu em Fortaleza, a 30 de setembro de 1938, e sempre teve como ídolo e mestre seu pai Moreira Campos, um dos maiores contistas brasileiros, autor de Dizem que os cães vêem coisas. Sem negar-lhe a influência a autora seguiu na prosa a trilha iluminada do pai. Seu primeiro conto publicado foi A Escada um dos mais famosos, o que fez com que partisse para o seu primeiro livro. Depois, graças ao Prêmio Nestlé de Literatura, o Brasil e o Ceará, principalmente, passaram a conhecer a arte literária de Natércia Campos. Agraciada com o primeiro lugar na categoria conto, Natércia, com o livro, Iluminuras, apenas confirmava aquela velha máxima: “Filho de peixe, peixinho é “. Trabalhou durante muitos anos na Secult, colaborando com o desenvolvimento de nossa cultura. Doente há alguns anos, mas dotada de uma fortaleza extraordinária, faleceu em 2004, deixando uma obra curta, mas tão significativa quanto a sua estada entre nós. Estreando com o livro Iluminuras ( 1988 ), Natércia Campos nos brindará com um conto inédito em livro, “A Escada”, com o qual venceu um concurso literário em São Paulo. Com o mesmo estilo introspectivo do pai, a autora apresenta a história de uma jovem que se vê dentro de casa perseguida por uma estranha presença, uma mulher, que em momento nenhum se dá a conhecer, mas que é percebida pela personagem. Ao final, inexplicavelmente, a jovem é empurrada do alto da escada e morre tragicamente. “Já chegava ao topo da escadaria, quando uma lassidão foi envolvendo todo seu corpo, que não lhe obedecia. Os passos aproximavam-se num ritmo crescente. Foi no impulso de alçar os braços para se livrar deste torpor que se sentiu alcançada e um leve empurrão, como um sopro de brisa, projetou-a no imenso vazio.(...) Lá fora os cães uivavam cabisbaixos e em círculos.” Impossível é não notar influência do pai nos textos de Natércia Campos, principalmente neste, quando temos de modo semelhante ao que acontece em “Dizem que os cães vêem coisas “, a presença dos cachorros que também parecem pressentir o que acontece com as personagens. Isso para não retomarmos a discussão sobre as diversas temáticas do fantástico onde as “premonições” podem ser inseridas. Conto: Iluminuras (1998). Romances: A casa; A noite das fogueiras. Narrativa de viagens: Por terra de Camões e Cervantes, Caminho das águas. Crônica: Vôos (inédito). |
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