| Moreira Campos |
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| Qui, 15 de Julho de 2010 01:41 | |
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Guru do GRELF
José Maria Moreira Campos ( 06/01/1914) nasceu em Senador Pompeu-Ce, mas viveu sua infância e parte da adolescência em Lavras da Mangabeira, após residir a família em cidades da Paraíba( Cajazeiras e Sousa ) particularmente na histórica fazenda Acauã, onde esteve refugiado o Frei Caneca. Quando mudou definitivamente para Fortaleza, em 1930, matriculou-se no Liceu do Ceará. O pai morreu neste mesmo ano e a mãe no ano seguinte.Interrompeu os estudos por seis anos. Depois, retomou-os e ingressou na antiga Faculdade de Direito, bacharelando-se em 1946. Para ser professor, fez vestibular para a Faculdade Católica de Filosofia do Ceará ( embrião da UFC ) , licenciando-se em Letras Neolatinas em 1967. Ensinou nos colégios Fênix Caixeiral e Pe. Champagnat. Ingressou no Funcionalismo Público. Tornou-se professor renomado da UFC, mais propriamente do Curso de Letras, onde ocupou cargos de chefia de departamento e obteve indicações para reitor. Participou da fundação do Grupo Clã com os amigos Antônio Girão Barroso e Arthur E. Benevides. Ministrou cursos na Alemanha sobre Guimarães Rosa e Machado de Assis. Membro da Academia Cearense de Letras e da Academia de Língua Portuguesa. Faleceu em Fortaleza, no dia 07 de maio de 1994. Quanto à obra de Moreira Campos, o que se pode dizer é que se apresenta marcada principalmente por um forte apelo social, demonstrando uma surpreendente rigidez técnica que se reforça pelo poder inventivo do artista que, numa tendência universalizante vale-se de um discurso psicológico próprio de autores como Machado de Assis, Clarice Lispector e Graciliano Ramos, aos quais iguala-se na opinião da maioria dos críticos. Ainda que não predomine em toda a sua obra, sendo o primeiro volume de contos Vidas Marginais ( 1949), e o último, Dizem que os cães vêem coisas ( 1987 ), o texto de caráter sobrenatural também pode ser observado no conjunto das narrativas de Moreira Campos, que mesmo apresentando-se como um escritor de tendência urbana, também recorre ao sertão para desenvolver algumas de sua temáticas. Mesmo não sendo a grande referência do conto fantástico em nosso estado, Moreira Campos, em A Sepultura, Anjo, Uma história estranha, e Dizem que os cães vêem coisas, por exemplo, trabalha as linhas do insólito demonstrando grande talento para a escrita de textos que tratam do sobrenatural, principalmente o sobrenatural aterrador, mais especificamente falando de “A Sepultura” , publicado em 1978, no volume Os doze parafusos. Em “Dizem que os cães vêem coisas”,1987, o que temos é a narração de um almoço à americana, ao ar livre, em que uma família se diverte, juntamente com os amigos. O narrador, sempre muito crítico, vai apresentando as personagens, e desde as primeiras linhas do conto valoriza a chegada de uma estranha visitante, denominada apenas de Ela. No entanto, depois de lermos a apreciação de críticos como o prof. Linhares Filho, autor do ensaio “O Fantástico em Moreira Campos ( 1988 ), devemos entender que narrativas como esta, além de “Anjo” e “Uma história estranha”, analisados pelo professor, certas narrativas moreirianas devem ser enquadradas no Sobrenatural, principalmente pela temática que encerram, pois a Morte, em si, já é um Evento fantástico, quando pensamos que representa travessia... Contrapondo-se a esse realismo seco, Moreira Campos é um dos nossos melhores impressionistas, na linha sutil e precisa de um Raul Pompéia. Basta que leiamos contos como O Banho quando a celebração da vida se dá num tanque de um cemitério. Obras: Os doze parafusos; A grande mosca no copo de leite( 1985); Dizem que os cães vêem coisas (1993).Vidas Marginais, 1949; Portas Fechadas, 1957; As Vozes do Morto, 1963; O Puxador de Terço, 1969; Contos Escolhidos,1971; Os Doze Parafusos,1978; Poesia: Momentos, 1976 |
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