Carlos Emílio Corrêa Lima PDF Imprimir E-mail
Qui, 15 de Julho de 2010 01:59 | Escrito por Vicente Jr

Carlos Emílio Corrêa Lima

Carlos Emílio Correia Lima é, indiscutivelmente, outro representante do gênero no Ceará uma vez que seu nome figura, atualmente, em uma vultosa antologia de contistas categorizados como autores de textos fantásticos, ao lado de grandes nomes como Machado de Assis ( As academias de Sião ), Aluísio Azevedo ( Demônios ), Murilo Rubião ( Teleco, o coelhinho ) dentre outros já abordados por nós.

Um dos melhores representantes do sobrenatural no Ceará, reconhecido nacionalmente, Carlos Emílio é dono de uma poética multifacetada onde podemos vislumbrar traços medievalescos na mesma proporção em que se observam elementos demarcadores de uma influência da science fiction norte-americana. Com preferência por títulos longos, nos moldes das histórias de bom proveito do século XIII, Carlos Emílio, em nossa opinião, é um autor que talvez nunca seja compreendido em sua plenitude, sendo o seu “delírio literário” reflexo dos delírios da própria humanidade.

“Luviborix”, da coletânea Páginas de Sombra,de Bráulio Tavares,  é um conto que trata de uma situação mais própria do Absurdo. O que temos é um monstro gigantesco e aterrador que, trancafiado em um grande buraco alimenta-se constantemente de catedrais, obeliscos e outros pontos turísticos do mundo, numa ânsia de destruição fora do comum, demonstrada através de uma fome de concreto e ferro. É um texto extraordinário, intrigante e nauseante, típico daquilo que escreve.

Em verdade, este é um conto emblemático que acaba representando o próprio fazer poético de Carlos Emílio, o monstro escondido no fundo do poço tem muito a ver com o modo  de ser e de escrever desse importante autor da literatura cearense. É o homem da agressividade, da palavra dita na hora em que se faz exigida. Seu caráter iconoclasta é o aditivo que lhe corre nas veias. Como um Rabelais deslocado no tempo, Carlos Emílio é Pantagruel de si mesmo e o Gargântua necessário da literatura cearense. É como sugerimos, uma “poética do Luviborix”, da iconoclastia, da destruição e da invenção, ao mesmo tempo. Obras: OFOS, A cachoeira das eras.